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F. Teixeira dos Santos: “Só com a Universidade será o Porto capaz de se relançar numa rota de progresso e modernidade”

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O Olhar de...

- Economista e político português (mais informações)

- Professor Associado da Faculdade de Economia da U.Porto (1981 - ...)

- Ministro de Estado e das Finanças do XVII Governo Constitucional (2005 – 2009) e do XVIII Governo Constitucional (2009 - 2011)

- Presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) entre 2000 e 2005

- Antigo Estudante da FEP, com Licenciatura (1973) e Doutoramento (1986) em Economia

 

‐ Como é que teve origem e se tem vindo a desenvolver a sua ligação à Universidade do Porto? Que principais momentos guarda dessa experiência enquanto estudante e professor?

 

A minha relação com a Universidade do Porto iniciou‐se em 1968, ano em que iniciei os meus estudos na Faculdade de Economia. Vivíamos então em Portugal os efeitos do Maio de 1968 em França e o ímpeto destes acontecimentos no movimento estudantil. Tempos marcados, internamente pela queda de Salazar, pela chamada primavera marcelista mas, porém, pela continuação da guerra colonial.

Externamente, um tempo marcado pela guerra do Vietname e o conflito israelo‐árabe. Mas este ano letivo de 1968/69 foi essencialmente marcado pelo vigoroso movimento estudantil iniciado em Coimbra e que se propagou às restantes academias, em especial ao Porto. Tempos em que se questionava um regime e uma guerra sem sentido num mundo marcado por conflitos que exigiam uma nova ordem internacional.

Para um jovem de 17 anos, acabado de sair do liceu, este ambiente foi um estímulo decisivo para o aprofundamento da sua consciência cívica e política.

Mais tarde, em 1974, então jovem assistente da Faculdade de Economia, não esqueço Abril e a profunda transformação que desde então se operou em Portugal, uma transformação também profunda da Universidade.

 

‐ Qual a importância da U.Porto no seu percurso profissional?

 

Tenho consciência que, não fora o meu percurso académico na UP, nunca teria sido chamado a exercer as funções oficiais que tenho exercido nos últimos 15 anos. Uma carreira exigente em termos de formação e valorização permanentes e sujeita a um processo de avaliação também exigente. Uma carreira em que o permanente contato com as gerações mais jovens é um estímulo, e responsabilidade, e em que o acompanhar o seu progresso e testemunhar os seus sucessos é altamente gratificante. A experiência docente universitária "formata‐nos" numa atitude de sempre querer estudar e compreender os problemas, de sempre sistematizar e organizar de forma clara as ideias e soluções, de sempre comunicar de forma rigorosa e compreensível. Esta "formatação", a par da capacidade técnica adquirida, é um capital que se tem revelado muito valioso nas funções que tenho exercido.

 

‐ Como avalia o papel desempenhado pela Universidade no seio da comunidade (cidade, região, país) e de que modo ele se poderá projectar para o futuro?

 

O conhecimento e a inovação são sobejamente reconhecidas como molas decisivas no progresso social e económico das nações e na sua capacidade de afirmação no mundo cada vez mais globalizado e competitivo. Nada disto é possível sem capacidade de pesquisa, produção e transmissão do conhecimento. As universidades estão no centro de todo este processo. Registo com muita satisfação o progresso considerável da UP nas últimas décadas. Uma universidade que muito contribuiu para o progresso da região em que se insere. Expandiu‐se e afirmou‐se a nível nacional. Hoje em dia, a presença e ação dos diplomados pela Universidade do Porto extravasa claramente a região Norte do país. Mas o salto mais considerável da UP foi sem dúvida a sua afirmação e reconhecimento a nível internacional. A UP tem visibilidade externa graças à visão e ação promotora dos seus responsáveis no domínio internacional e graças à qualidade dos seus docentes e cientistas que, pelo seu trabalho, têm merecido o reconhecimento da comunidade técnica e científica internacional. Acresce que a capacidade de atração de estudantes estrangeiros que a UP tem revelado alavanca em muito a sua afirmação externa.

Por todas estas razões a UP assumiu um papel decisivo na dinâmica de desenvolvimento da cidade, da região e também do país. Num Porto que, ao longo das últimas décadas, perdeu muito do que bom tinha, a UP é um reduto de iniciativa, competência e capacidade científica, técnica e organizativa. Não haverá estratégia de desenvolvimento, de dinamização e revitalização da cidade e da região sem um forte envolvimento da Universidade. Só com a Universidade será o Porto capaz de se relançar numa rota de progresso e modernidade.

 

‐ Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional? Como prevê o papel de uma Universidade do Porto daqui a 100 anos?

 

A Universidade do Porto deve prosseguir no caminho de exigência e qualidade que tem trilhado. Produzir e deter recursos humanos altamente qualificados e inseridos nas redes nacionais e internacionais de pesquisa, de conhecimento e inovação é decisivo para a sua vitalidade. A Universidade será tanto mais forte e influente quanto mais as suas "raízes" estiverem bem inseridas na sua comunidade e nestas redes. O papel da Universidade daqui a 100 anos não será muito diferente do de hoje. Os tempos serão diferentes e a forma de cumprir esse papel também, mas a Universidade terá que continuar a ser um "farol" que aponta o caminho da inovação, do progresso, da modernidade e da valorização humana. Não estarei por cá para ver isso, mas é isso que quero que os netos dos meus netos vejam.

 

‐ Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto.

 

Ao longo dos seus 100 anos de existência a Universidade do Porto formou várias gerações de diplomados. A minha primeira palavra é de reconhecimento para todos estes que com o seu saber e competência construíram a cidade, a região e o país de hoje. É graças a eles que o "ser da Universidade do Porto" será sempre um grande motivo de orgulho para todos nós. Um profundo agradecimento àqueles que muito me deram: os meus professores. Infelizmente muitos deles já não estão entre nós e por isso estendo este agradecimento aos seus familiares. Por fim, àqueles que são hoje a universidade – dirigentes, docentes, funcionários e alunos – peço‐lhes que persistam no trabalho que têm desenvolvido pois essa é a melhor garantia que temos que, daqui a 100 anos, todos continuarão a ter orgulho na NOSSA UNIVERSIDADE. ‐

 
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