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Eduardo Oliveira Fernandes: “Pede-se à Universidade menos do que o que ela pode e deveria dar”

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O Olhar de...

- Engenheiro português

- Professor catedrático e investigador do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP)

- Presidente da Agência de Energia do Porto

- Secretário de Estado do Ambiente do IX Governo Constitucional (1984-1985) e Secretário de Estado Adjunto para a Energia e Inovação do XIV Governo Constitucional (2001-2002)

- Antigo estudante da FEUP com Licenciatura em Engenharia Mecânica (1967)

http://paginas.fe.up.pt/~eof/

 

- Como é que teve origem e se tem vindo a desenvolver a sua ligação à Universidade do Porto? Que principais momentos guarda da sua experiência enquanto estudante e professor da U.Porto?

Cheguei à U.Porto ao transferir-me da Universidade de Coimbra no fim dos preparatórios de engenharia em 1964. Como estudante guardo boa memória dos colegas e do ambiente académico em geral. A Universidade e, em particular a FEUP e, talvez, mais ainda o Departamento de engenharia Mecânica não ofereciam na altura um programa de formação muito avançado e estimulante em Engenharia Mecânica. Se disso não ficou má memória, tal deveu-se ao clima humano que superava as carências em competências científicas e técnicas. Estamos nos anos 60 em que ainda havia espaço para se jogar à bola no Pátio do Edifício da Rua dos Bragas.

 

Entretanto deixei a U.Porto em 1967, ao fim de seis anos de Universidade, para encetar um período de vida muito rico que passou por um estágio numa petrolífera em Itália e, de uma opção pela Universidade entrando como assistente estagiário a leccionar em Lourenço Marques (Maputo) em 1968, onde era Reitor o Prof. Veiga Simão que havia sido meu professor em Coimbra. A partir daí foi-me possível eleger o meu objectivo universitário que incluiu um doutoramento na Escola Politécnica Federal de Lausanne com bolsa do próprio Governo Suíço, onde me doutorei em 1973, em temas afins às problemáticas da energia, em particular, da energia-calor ou térmica, em associação com uma das maiores empresas mundiais produtoras de turbinas para a produção térmica de electricidade: a, então, Brown Boveri, hoje ABB (após união com a sueca ASEA).

 

Na sequência da revolução de Abril de 1974, regressado a Portugal, abrem-se-me algumas ofertas de fixação em Universidades, entre as quais a do Porto e assim encetei em 1975 um percurso no Departamento de Engenharia Mecânica procurando servir o país pelo ensino, pela investigação mas, também, pela extensão universitária e pelo serviço público sob as mais diversas formas, sempre em torno daquilo a que chamo a energia de proximidade, em particular, centrada no ‘ambiente construído’ (edifícios e cidades). Afinal, passaram 35 anos após o meu regresso, ao longo dos quais a UP me deu a possibilidade de ser o que reconheço ter sido uma opção de vida recheada de coisas gratificantes.

 

- Qual a importância da U.Porto no seu percurso profissional? De que forma foi de encontro às suas expectativas?

 

Para ser franco, mais do que a Universidade do Porto, foi a Universidade ‘tout court’ que se me revelou como sendo o meu ‘habitat natural’. Certamente que tive muitos apoios pessoais e institucionais mas guardo sobretudo a gratidão à vida por me ter propiciado ser um universitário, certamente, modesto mas, seguramente, muito convicto e feliz dessa condição.

A U.Porto que me tinha deixado com algum desconforto no termo da licenciatura, foi exemplar ao acolher-me como jovem professor propiciando-me o quadro e o espaço de manobra para o que assumo ter sentido e procurado sempre ser: só professor universitário.

 

- Como avalia o papel desempenhado pela Universidade no seio da comunidade (cidade, região, país) e de que modo ele se poderá projectar para o futuro?

 

A Universidade é curiosamente uma instituição muito desconhecida e, por isso, muito incompreendida, acabando por se lhe pedir menos do que o que ela pode e deveria dar em prol do desenvolvimento da sua envolvente sócio-económica e cultural. Claro que só vejo a Universidade como instituição do conhecimento sem peias, e o conhecimento é universal, quer no seu desenvolvimento vertical – sempre mais de menos – como, também, horizontal, em busca das sinergias, da integração e da abordagem holística do Universo. Mas, partindo daí, há uma missão de ‘extensão universitária’ pela qual a Universidade deverá procurar contribuir institucionalmente, mais do que por mera adição dos contributos individuais dos seus membros.

Dito isto, o papel da Universidade no seio da comunidade é essencial. Desde logo, só por existir. O resto, a criação do conhecimento, a formação, isto é, a criação de capacidades para pensar, criar e intervir na sociedade gerando riqueza e favorecendo a eficácia dos sistemas sociais são prerrogativas que fazem da Universidade uma instituição única e a U.Porto não foge a esse padrão.

 

- Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional? Que Universidade do Porto gostava que se celebrasse daqui a 100 anos?

 

A Universidade do Porto está seguindo trilhos de modernidade que a colocarão em excelente patamar na cena internacional no domínio científico e pedagógico. Entretanto, é mais subtil a inserção do papel da Universidade na comunidade, dadas as suas dificuldades no que respeita à, até agora, talvez demasiado baixa taxa de ‘cosmopolitismo’ do seu corpo docente. A manutenção da U.Porto indivisa por que me manifestei nos anos 80 foi uma decisão essencial para assegurar à Universidade o papel que agora está a ter no quadro das Universidades portuguesas. No entanto, um crescimento demasiado rápido, em professores e em Escolas, a dispersão pelo tecido urbano e uma algo aleatória ‘clusterização’ territorial das Escolas constituem obstáculos a uma maior vivência da instituição explorando as sinergias e complementaridades das diversas disciplinas.

 

- Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto (formato livre)

 

É um orgulho ter podido ser universitário e sê-lo na Universidade do Porto ao longo deste meio século (1964-2011) com particular incidência no último terço de século. É um orgulho ter visto como cresceu a U.Porto em todas as valências da expressão universitária. É razão de orgulho sentir que a U.Porto adquiriu uma dimensão internacional em termos da sua produção científica e, também, da sua abertura a estudantes de todas a s partes do Mundo.

 

Resta desejar que a Universidade do Porto encontre as vias para nos próximos 50 anos se consolidar no terreno do progresso científico, da inovação e eficácia pedagógicas e que se afirme como agente decisivo do desenvolvimento de uma Cidade e duma Área Metropolitana que dela esperam um desabrochar em fermento de cosmopolitismo, em criatividade, em cultura e em competência qual farol de saber e de solidariedade.

 
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