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Alexandre Alves Costa: “Unidade e solidariedade são condições para a sobrevivência da inestimável autonomia”

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O Olhar de...

- Arquitecto e professor universitário português (mais informações)

- Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Arquitectura da U.Porto (FAUP), tendo integrado a comissões instaladora (1979) e dirigido o 1º Programa de Doutoramento em Arquitectura da FAUP

- Diplomado em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), antecessora da FAUP e da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP)

 

- Como é que teve origem e se desenvolveu a sua ligação à ESBAP (e posteriormente, à Universidade do Porto via FAUP? Que principais momentos guarda da sua experiência enquanto estudante e professor?

 

Sou diplomado em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto. Pouco tempo após o termo do meu curso fui convidado para assistente. Ali iniciei a minha carreira académica, que se concluiu já no âmbito da nova Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. A minha vida esteve, assim, sempre ligada ao ensino da arquitectura.

Como se deve calcular são muitos os momentos importantes que vivi, que não se distinguem da minha história de vida. Em primeiro lugar a lembrança dos meus mestres e, depois, colegas, a quem devo praticamente tudo do que sou. Recordo, em especial, o Mestre Carlos Ramos e o Professor Fernando Távora.

Entre os momentos mais marcantes deste longo percurso, desde a crise académica de 1962, até às provas públicas que efectuei, seja nas Belas Artes seja na Faculdade de Arquitectura, não tenho dúvida que o mais importante, e que recordo com mais saudade, foram os contactos com os alunos que a minha condição de professor me permitiu. O compromisso amigável que fui mantendo com sucessivas gerações de estudante e de assistentes constituiu uma espécie de rejuvenescimento permanente e um privilégio único, sobretudo para quem, como eu, o viveu apaixonadamente.

 

- Qual a importância da ESBAP/U.Porto no seu percurso profissional e que modo foi de encontro às suas expectativas?

 

O exercício da docência, em arquitectura, foi sempre, para mim, indissociável de uma paralela prática profissional. É esta a tradição da “Escola do Porto” de que me orgulho ter sido parte constituinte. A ligação à Escola de Belas Artes e posteriormente à Faculdade, favorece que o exercício crítico permanente sobre a produção dos alunos, constitua uma forma de mantermos viva a inquietação, sobre nós próprios, sem a qual o exercício criativo não existe e a prática profissional tende a cristalizar-se. Por outro lado, o facto de me ter mantido, em simultâneo, com a docência de Projecto, e a da História da Arquitectura Portuguesa, obrigou-me a uma disciplina de estudo e reflexão que muito tem enriquecido a perspectiva com que leio, hoje, o exercício da arquitectura, como parte de uma cadeia de continuidades que contém o passado, a compreensão do presente e, como é próprio da sua condição transformadora, um projecto de futuro.

Em resumo poderei dizer que o meu percurso profissional, valha o que valer, deve quase tudo à procura de resolução desta dramática tentativa de conciliar o ensino, o estudo e a investigação, com o exercício da projectação, sem privilegiar nenhum dos aspectos ou menorizar nenhum deles.

 

- Como avalia o papel desempenhado pela Universidade no seio da comunidade (cidade, região, país), com especial enfoque na área do urbanismo e da intervenção do espaço arquitectónico?

 

Infelizmente sobre esse papel tenho maiores dúvidas, pelo menos no que diz respeito à nossa própria Faculdade. Exceptuando o compromisso que assumimos, logo a seguir ao 25 de Abril, com a nossa entusiástica participação no apoio aos movimentos sociais urbanos que lutavam pelo direito à habitação e, em última consequência pelo direito à cidade, parece-me que nos temos vindo a afastar de uma acção interveniente nos destinos da nossa cidade e do nosso país.

Provavelmente por determinação subjectiva da situação política geral e, em particular, no que diz respeito à nossa cidade, a acção institucional que produzimos seja no plano crítico ou mesmo no prático é bastante insignificante. Há uma espécie de desesperança na utilidade da nossa participação activa nos destinos da cidade. É uma desesperança que, não sendo só nossa, reflecte a desconfiança relativa à utilidade prática de desenvolver mecanismos de participação num sistema em que a política é entendida e praticada, não como um direito e um dever de cidadania, mas como uma actividade restrita de uma determinada classe com um rol de privilégios que faz com que se mantenha cada vez mais comprometida com assegurá-los para si e menos com a necessidade de se colocar ao serviço do povo. Um dos privilégios é o próprio exercício do poder que, como se sabe, não só corre o risco de corromper, como assume uma espécie de prazer na sua cada vez mais exclusividade e menor democraticidade. A Universidade tem cumprido com tanta galhardia a sua missão de produção de conhecimento e sua divulgação pelo ensino que tem descurado, não indirecta, mas directamente, a sua terceira missão de servir a comunidade.

 

- Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional?

 

Eu penso que o caminho está traçado e, aparentemente, bem. Tanto assim que a nossa Universidade se tem substancialmente afirmado.

O perigo que encontro no caminho do futuro é a de uma subtil mas inexorável escalada no sentido da perda da sua autonomia científica, didáctica e administrativa que espero não venha a atingir um grau de cada vez maior subserviência em relação ao capital financeiro ou mais simplesmente ao “poder dos bancos” que a vai, cada vez mais despudoradamente minando. Prevejo que tenhamos que resistir, humanidades e artes, ao domínio previsível de uma rentabilidade mais imediata a que correspondem certas áreas disciplinares mais permeáveis às tentações do compromisso que pensamos bem redutor, até para elas e para a sua dignidade, diríamos científica.

A Universidade do Porto tem sabido manter uma unidade e uma solidariedade interna que, do meu ponto de vista, são as condições básicas para a sobrevivência da sua inestimável autonomia, condição para uma afirmação cada vez mais útil e profunda nos contextos regional, nacional e internacional. Conhecendo bem os autores que constituem a sua principal genuinidade e, obviamente, são o garante não só da sua qualidade científica, mas também humana, estou profundamente confiante no seu futuro.

 

- Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto.

 

A minha mensagem estará, julgo eu, implícita em tudo o que escrevi antes. Quero concluir por reafirmar a minha confiança no futuro, fundamentada no caminho imenso que foi percorrido, pela nossa Universidade, neste primeiros cem anos.

 
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