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Armando Carvalho Homem: “É a única Universidade que não conheceu uma verdadeira crise académica”

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O Olhar de...

- Historiador e professor universitário português (mais informações)

- Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais) com especialização em História Medieval

- Investigador do Centro de Estudos de População, Economia e Sociedade (CEPESE)

- Antigo Estudante da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com Licenciatura em História (1974) e Doutoramento em História da Idade Média (1985)

 

- Como é que teve origem e se desenvolveu a sua ligação à Universidade do Porto ?

 

Nasci em Coimbra (1950) e pertenço a uma família toda ela com raízes em Viseu (cidade e distrito). Pondo de lado alguns que seguiram a carreira militar, os que tiveram formação superior obtiveram-na invariavelmente na UC; acabei por ser o primeiro da família a formar-se noutra Universidade que não a UC (descontado um ano de passagem pela respectiva Faculdade de Direito). Entrei no 1.º ano de História da FL/UP em 1968 e posso dizer que não mais saí: fui contratado como monitor em 1973, como assistente eventual no ano seguinte e assim sucessivamente. Entre 1968 e 1970 e, depois, entre 1971 e 1973 fui membro do Orfeão Universitário do Porto.

 

- Que principais momentos guarda da sua experiência enquanto estudante e professor?

 

- Vivi o tempo estudantil na fase marcellista do Estado Novo, com todas as esperanças e desilusões que ela comportou, e numa conjuntura post-Maio de 68, de Woodstock e de movimentos estudantis em U’s norte-americanas. Sendo por natureza alguém mais dado à reflexão do que à acção, não escondo alguma dificuldade que por vezes tive em compreender e acompanhar as transformações da sociedade e das U’s portuguesas nesses anos. Mas quando no ano lectivo de 1972/73 terminei a fase escolar da licenciatura (o então 5.º ano), eu era definitivamente alguém em paz com o meu tempo

Iniciei o meu serviço como monitor em Abril de 1973 e como assistente eventual do então 4.º Grupo (História – área de História Medieval) em Novembro do ano seguinte. Naturalmente, os meus primeiros anos de carreira foram profundamente marcados pelo momento e pela circunstância. Guardo desses tempos a recordação particularmente agradável dos anos lectivos de 1975/76 e -76/77, durante os quais as aulas do Grupo de História decorreram no edifício do antigo Seminário de Vilar, emprestado pela diocese do Porto; foi uma verdadeira experiência de funcionamento departamental «avant-la-lettre» e «avant-le-temps», com a particularidade de TODOS termos gabinetes individuais (os antigos quartos dos professores do Seminário…). Em contrapartida, os longos anos (1977-1995) de funcionamento no (então) precário edifício ao fundo do parque da Casa Andresen (n.º 1055 da Rua do Campo Alegre) não me deixam, em termos de instalações, grande memória. E o actual edifício (1996 ss.) também têm que se lhe diga…

Pode dizer-se que, para o bem e para o mal, o Grupo de História da FL/UP normalizou pedagogicamente a partir de 1978/79. Como momentos a reter no meu percurso na UP, destaco naturalmente o doutoramento (1985, Dezembro), a agregação (1994, Fevereiro) e o atingir da cátedra (1998, Maio). Destaco também, na FL/UP, o momento da conversão do 4.º Grupo (História) em Departamento de História (DH, 2000) e em Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais (DHEPI, 2005). Realço ainda os momentos em que as primeiras teses de mestrado e de doutoramento realizadas sob minha orientação foram concluídas com êxito (1989 e 1999, respectivamente).

Não posso omitir uma referência a coisas menos boas: entendo por princípio que não devem existir reprovações em actos de provas públicas de nível superior à licenciatura. Rejeito de todo os espectáculos degradantes da humilhação pública de candidatos a mestrado, doutoramento ou agregação: se não possuem qualidade, há mecanismos que permitem o seu afastamento ou dissuasão – ou a reformulação da tese – antes das provas. Devemos ser o País europeu onde tais coisas ocorrem com maior assiduidade. É claro que tal postura já me fez cortar relações; e também me trouxe incompreensões, hostilidades e até perseguições. Mas paciência… 

 

- Qual a importância da UP no seu percurso profissional e de que modo foi ao encontro das suas expectativas?

 

A minha geração foi das primeiras a percorrer a fase de assistente na vigência de um primeiro esboço de Estatuto de Carreira (Veiga Simão, 1970) e depois do primeiro efectivo ECDU (1979). Isso permitiu-me dispor de 3 anos de total dispensa do serviço docente para preparação do doutoramento e de 2 semestres de férias sabáticas no ano anterior à agregação. Não posso pois queixar-me, deste ponto de vista.

 

- Como avalia o papel desempenhado – no passado e no presente – pela Universidade no seio da comunidade (cidade, região, país)?

 

A Universidade do Porto nasceu com a República e, de certa forma em sequência ao que fora sendo prática das anteriores Academia Politécnica e Escola Médico-Cirúrgica, criou um «modus operandi» de existir discretamente, viver com calma… Com efeito, a U.Porto sempre tem sido uma das mais estáveis Instituições portuguesas de Ensino Superior: Politicamente, e se excluirmos a última dúzia de anos, foi claramente a que menos elementos forneceu aos Executivos da República e do Estado Novo, aos Governos Provisórios de 1974/76 e aos da vigência da actual Constituição. Foi a bem dizer a única Universidade que não conheceu uma verdadeira crise académica (entenda-se: com situações de prolongada[s] perturbação / paralisação). E é seguramente uma das Instituições mais VÁLIDAS do território compreendido entre o Douro, o Minho e a serra do Marão…

 

- Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional ?

 

 Na sequência à resposta anterior., se há uma IDIOSSINCRASIA da U.Porto, talvez ela passe pelo predomínio da EVOLUÇÃO sobre a REVOLUÇÃO, da INCORPORAÇÃO CRÍTICA sobre a RUPTURA DE PARADIGMA. Para os últimos tempos, talvez seja essa a lição do reitorado sereno de José Novais Barbosa (1998-2006)…

 

- Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto.

 

Nascemos há quase um século. Desde cedo – e já havia os antecedentes nas Escolas oitocentistas – se criaram na Universidade do Porto ícones do saber e/ou da docência: pensemos – e para ir buscar um só exemplo a cada uma das quatro Faculdades mais antigas – em Rodrigo Sarmento de Beires (1895-1975), em Hernâni Monteiro (1891-1963), em António Bonfim Barreiros (1886-1977) ou em Armando Laroze Rocha (1900-1983). Quando daqui a 100 anos se comemorar o duplo Centenário, o que virá mais à lembrança dos evocadores de então quando encararem os alvores do século XXI? O frenesim da inovação (Bolonha, RJIES, Regime Fundacional, Avaliação Internacional …) que tem marcado os últimos anos? Ou vultos da Ciência Portuense como Maria de Sousa, Manuel Sobrinho Simões ou Alexandre Quintanilha e as Unidades Orgânicas e as Unidade de I&D a que têm dado o melhor do seu Saber?...

 
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