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Mariana Pinto da Costa: "É importante fomentar a investigação científica junto dos jovens..."

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2010-11-02

 - Médica portuguesa

- Antiga Estudante do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, com Mestrado Integrado em Medicina (2009)

-  Vencedora do Prémio da Comunidade Europeia “Erasmus Vidas de Sucesso” em 2010, pela qualidade da sua participação no Programa Erasmus

 

 

- Que principais memórias guarda da sua experiência enquanto estudante da U. Porto?

 

São muitas as memórias que retenho referentes à Universidade do Porto ao longo dos seis anos da minha formação. Quando pisei pela primeira vez o edifício secular do ICBAS (Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar), pressenti uma certa agitação instituída. As instalações restritas compeliam uma proximidade intensa, facilitando a partilha e o convívio, nomeadamente a diversão nas afamadas “Flower Power”. Como pretendi viver intensamente aquela época, entrosei-me em inúmeras actividades da Universidade e a ela associadas, como o teatro, órgãos associativos, programa Erasmus, entre outras.

Aos 17 anos quando ingressei na Universidade, recordo um edifício majestoso por fora e surpreendente por dentro, desconhecendo então as vivências que nela iria ter e o que me iria presentear. Posteriormente emergiu como instituição dinâmica e de referência que dela resultei como jovem recém-licenciada aos 23 anos.

A partilha e o debate, como forma de aprendizagem, permitiram desde cedo a possibilidade de facilmente estabelecer contactos entre colegas e professores, não só nos primeiros anos, mas igualmente na vivência clínica no Hospital de Santo António.

 

A proximidade física com as instalações da Reitoria possibilitou-me considerá-la como extensão da minha escola e procurá-la como apoio e resposta.

As experiências com universidades no estrangeiro permitiram-me analisar e valorizar muitas iniciativas e acções da Universidade do Porto de uma forma mais realista e positiva no que concerne ao real valor desta instituição como entidade formadora, nomeadamente nos novos horizontes que é capaz de abrir, desvendar e apoiar, embora ainda tenha arestas a limar no sentido da modernidade num mundo global actual.

 

- Há algum episódio que se destaque da experiência que viveu na Universidade?

 

Recordo-me de ver as ruas em torno da Reitoria da U.Porto e do ICBAS sempre cheias de estudantes, de livros debaixo dos braços e de cafés com mesas cheias de apontamentos. Tenho bem presente as filas imensas para tirar fotocópias e as palavras trocadas entre quem se costumava sentar frente a frente nas Bibliotecas. Recordo-me de variar de biblioteca em biblioteca para estudar e das caras que se tornavam conhecidas nesses locais nessas ocasiões. Relembro as noites passadas a estudar no ICBAS. Não esqueço as Queimas das Fitas! Recordo-me das noitadas em que saía do ICBAS de reuniões da Associação ou de ensaios do grupo de teatro S.O.T.A.O. Relembro a adrenalina e a indecisão entre partir ou não para Erasmus. Guardo na memória um ICBAS sempre com estudantes sentados nas escadas. Lembro-me de às 00h00 dos meus 18 anos estar a estudar no Teatro Anatómico e da surpresa que me fizeram.

Recordo o dia em que concluí o Curso de Medicina, quando defendi a Tese de Mestrado Integrado sobre “Burnout nos médicos” e de sentir a alegria e a responsabilidade de ser médica.

Ao ser-me atribuído o Prémio da Comunidade Europeia “Erasmus Vidas de Sucesso”, fui seleccionada para representar Portugal na Conferência realizada em Lund, na Suécia, o que me proporcionou a honra de ser recebida pelo Magnífico Reitor da Universidade do Porto, que me congratulou pelo facto de ter sido escolhida para representar Portugal num evento deste âmbito.

 

- Qual a importância da U. Porto no seu percurso, não só ao nível da formação, como do ponto de vista profissional?

 

A Universidade do Porto permitiu-me formar em Medicina, aprofundar regras de trabalho, desenvolver o espírito científico e o rigor que ela exige e lhe está impresso. Proporcionou-me a realização de dois programas Erasmus, que me abriram horizontes para outras realidades universitárias, reforçaram o meu espírito crítico, possibilitaram a criação de novos contactos e amizades, factores importantes para a vida profissional recém-iniciada como médica interna, no desempenho de funções e na transmissão de valores que aprendi ao longo do meu percurso académico, como o dever, a responsabilidade e o gosto em ensinar.

Costuma-se dizer que “À primeira é para ver, à segunda é para fazer e à terceira é para ensinar.” A exigência de ser convenientemente orientada, que anseio ver cumprida, neste primeiro período de actividade prática desperta em mim a vontade em ensinar, para já os meus doentes, incutindo-lhes regras no sentido de reforçar e melhorar as suas condições de saúde, mas similarmente os colegas mais jovens que querem aprender para um dia virem a ser capazes de ajudar os outros com companheirismo e disponibilidade. Ensinar mantém-nos activos e actualizados porque somos sistematicamente pressionados por questões colocadas pelas cabeças mais jovens que querem respostas às suas dúvidas.

 

- Como avalia o papel desempenhado pela Universidade no seio da comunidade (cidade, região, país) e de que modo ela se poderá projectar para os próximos 100 anos?

 

O papel da Universidade do Porto é muito importante para o desenvolvimento do País, pelas oportunidades que proporciona a nível do conhecimento. A Universidade concretiza o princípio de que uma instituição deste âmbito não pode viver fora da comunidade, devendo ser uma casa moderna, de portas abertas a todos os que procurem nela mais saber.

A Universidade tem um papel de ligação da comunidade académica com a sociedade, fundamental para o desenvolvimento mútuo, estabelecendo parcerias com instituições que aproveitam na prática o conhecimento nela criado. É imperioso reforçar esta cooperação, alargando o seu âmbito à sociedade, de modo a reunir condições para melhorar o seu desenvolvimento.

Cada vez mais deve reforçar-se a aplicação prática da investigação que é feita actualmente, à vida quotidiana de todos, face ao mundo em que nos inserimos, em prol de uma maior eficácia.

Por outro lado, os programas de mobilidade permitem a colaboração com universidades nacionais e estrangeiras, o que facilita a sua projecção internacional.

O futuro sugere a reactivação do espírito de tertúlia, em que os saberes se entrecruzem permitindo um aprofundamento do conhecimento de todos, afastando-nos de um saber limitado à sua própria super-especialização com desconhecimento total da abrangência do conhecimento científico global.

 

- Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional?

 

A Universidade do Porto deverá continuar a aproximar-se da população, sobretudo das camadas mais jovens e difundir os seus conhecimentos e as suas iniciativas. “Só não ama a arte quem não a conhece.”

Actividades como a Universidade J+unior são fundamentais. Aproveitar as férias para organizar cursos teóricos e práticos nas diferentes áreas, cujos projectos de aferição de conhecimentos estimulem a curiosidade e o gosto em aprender, aumentando o nível de conhecimento entre os estudantes nacionais e estrangeiros, permitem projectar a Universidade.

Deve-se intensificar os intercâmbios de professores, uma vez que sendo eles formadores das gerações futuras, devem ter o conhecimento do que existe actualmente, conhecer outras realidades de ensino, partilhar ideias e informações científicas e culturais, de forma a contribuir para o desenvolvimento do saber. 

Parece-me importante fomentar a investigação científica junto dos mais jovens desde os primeiros dias na Universidade, reconhecendo e incentivando com palavras de orientação e de estímulo, criando um espírito competitivo e simultaneamente de inter-ajuda e de grupo.

O apoio financeiro com vista a possibilitar o intercâmbio e a investigação, não só no espaço comunitário mas em todo o mundo, deverá ser reforçado.

O convite para que os jovens estudantes colaborem na vertente lectiva, encarregando-os de leccionar temas nas suas ou noutras escolas da sua Universidade, promove um espírito de partilha do conhecimento inter-faculdades, fundamental para a população académica, facilitador da possibilidade de um conhecimento global na actualidade.

Criar actividades lúdicas, desportivas e culturais que tentem aproximar os alunos, docentes, técnicos e restante pessoal de toda a Academia reforça o nosso espírito de membros da Universidade do Porto.

A Universidade deve cada vez mais entrosar-se no mundo do trabalho, pois estas instituições representam o mundo real em que nos temos de inserir quando terminamos a nossa formação académica.

A preocupação crescente com os jovens, não deverá fazer descurar aqueles que numa fase mais avançada das suas vidas ainda querem aprender e que muito podem contribuir com a sua experiência para a sociedade futura, ficando eles próprios mais inseridos no mundo actual.

A Universidade, como nicho de preparação e formação da sociedade, tem a responsabilidade social de colaborar fornecendo ferramentas de trabalho a todos os que virão um dia a desenvolver actividades nas diferentes áreas, de forma a serem capazes de cooperar e resolver os contratempos que surgem no dia-a-dia, contribuindo para uma sociedade e um futuro melhores.

 

- Como prevê o papel da Universidade do Porto daqui a 100 anos?

Prevejo que daqui a 100 anos a Universidade do Porto será melhor do que na actualidade.

Melhor porque o trabalho que tem vindo a ser feito no momento na Universidade do Porto é nesse sentido.

Melhor porque terá cada vez mais colaboradores reconhecidos mundialmente, afastando-se de uma Universidade com massa crítica de qualidade que não é suficientemente conhecida.

Melhor porque será provavelmente distinguida nos rankings mundiais credíveis de classificação das Universidades.

Espero que implemente a visão vanguardista que não limita a ciência à tecnologia, à evidência, mas que lhe incuta o lado humanista e espiritual que toda a ciência deverá ter.

Espero que se ultrapasse a crise financeira que atravessamos e que a nossa Universidade possa dispor de instalações e condições logísticas melhores do que as actuais, mais modernas, mais amplas, melhor equipadas, conservando sempre o espírito de apoio e colaboração dentro das diferentes Instituições da Universidade.

 

- Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto.

 

Resposta – Cem anos de qualquer coisa é muito tempo, especialmente para alguém como eu, que tem apenas 24 anos de idade.

Os 100 anos da Universidade do Porto são muito significativos para mim, como antiga estudante, como profissional da medicina com preocupações pela sociedade em que vive e que por força da sua profissão lida com um período da vida de maior vulnerabilidade a que ninguém está isento, que é a doença.

A Universidade tem o privilégio de lidar com um período potencialmente mais áureo: o futuro. Como tal tem a responsabilidade de ser o alicerce da formação de muitos dos que virão a trabalhar, contribuindo para uma sociedade melhor, mais satisfeita, mais próspera e mais saudável.

A Universidade do Porto tem representado, cada vez mais, o papel de orientadora do desenvolvimento da região em que está inserida. Estou segura que esse papel se irá reforçar nos próximos 100 anos. 

Que o primeiro centenário da Universidade do Porto seja o início de muitos outros, repletos de sucesso traduzindo o reconhecimento do seu prestígio, com memória dos seus membros ao longo das gerações, na perenidade dos valores que perpetuam e distinguem esta instituição.

Almejo que a Universidade do Porto possa ocupar no mundo global o lugar que lhe é merecido e tão desejado por todos nós que a ela estamos ligados de forma mais ou menos activa, mas sempre com um gene bem dominante de orgulho de sermos antigos alunos da Universidade do Porto.

 
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