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Artur Santos Silva: “As Universidades têm que ser hoje o que foram os nossos Descobridores no século XVI”

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O Olhar de...

- Gestor e jurista português (mais informações)

- Fundador e Presidente do banco BPI

- Doutor Honoris Causa pela Universidade do Porto / Faculdade de Belas Artes (2010)

- Membro do Conselho Geral da Fundação Gomes Teixeira, do Conselho Consultivo da Faculdade de Economia (FEP) e do Conselho Geral da EGP-UPBS.

 

- Apesar de não ter uma ligação à Universidade do Porto enquanto estudante ou professor, a verdade é que, sendo natural da cidade e tendo desempenhado um papel activo em vários eventos ligados ao Porto, “cruzou-se” desde sempre com a realidade académica portuense.  Que momentos guarda dessa convivência com a Universidade?

 

A minha primeira ligação com a Universidade do Porto fez-se no Colégio Araújo Lima, que frequentei da 3ª classe do ensino primário ao 7º ano do liceu, e que era dirigido por um professor das Faculdades de Ciências e de Engenharia, António Fernandes de Sá, personalidade que aliava uma profunda inteligência à capacidade de diálogo com os mais novos e grandes preocupações culturais. O Colégio era um espaço de grande abertura, razão pela qual o meu Pai o escolheu para a minha formação.

Desde muito jovem conheci, também, grandes personalidades da Faculdade de Medicina, amigos da minha família, como ainda em criança, Abel Salazar e, mais tarde, Gonçalves Moreira – um dos maiores amigos de meu Pai, personalidade fascinante e que tão cedo partiu - e Joaquim Bastos a cujos filhos me ligam laços de grande amizade.

Da Escola de Belas Artes recordo a notável personalidade do Arq. Viana de Lima que, igualmente, conheci desde criança e reconstruiu belissimamente a casa de minha Mãe em Felgueiras.

Muito beneficiei na minha formação, no final do Liceu, das lições de literatura portuguesa de Óscar Lopes, um dos maiores vultos da cultura portuguesa contemporânea e, mais tarde, referência incontornável da Faculdade de Letras.

Na Faculdade de Economia destaco, no princípio da minha vida profissional, Manuel Baganha que, aliás, me veio a prestar uma valiosíssima colaboração quando exerci funções no Governo.

A minha maior dívida com a Universidade do Porto resulta do projecto profissional que marcou a minha vida – a SPI e, depois, o BPI – que muito beneficiou dos excelentes quadros, em geral, recrutados à saída da Universidade e que se licenciaram, em especial, nas Faculdades de Economia e de Engenharia.

Nos últimos trinta anos estive envolvido em vários órgãos da Universidade do Porto – Fundação Gomes Teixeira, Senado da Universidade, Conselho Consultivo da Faculdade de Economia e Conselho Geral da Escola de Gestão do Porto.

Muito me enriqueceu o melhor conhecimento da Universidade e das suas grandes figuras que estas oportunidades me vieram a proporcionar.

Por outro lado, na Cooperativa Árvore, na Fundação de Serralves, na Porto 2001 e na Cotec foi-me proporcionado um estreito contacto com importantes personalidades da Universidade que nunca esquecerei.

 

- O que significou para si a distinção com o Doutoramento Honoris Causa da Universidade do Porto (por iniciativa da Faculdade de Belas Artes), em 2010? Que momentos guarda desse dia?

 

O doutoramento Honoris Causa na Universidade do Porto foi um dos momentos mais altos de toda a minha vida pelo que representa a Faculdade de Belas Artes a cuja iniciativa devo esta distinção e, naturalmente, a Universidade do Porto, a mais importante instituição de ensino superior do nosso País, que tanto tem contribuído para valorizar o Porto e o Norte em tudo o que aqui se faz de melhor.

Procurei então fazer um balanço do meu caminho, o que foi o decisivo papel da minha Família, dos Professores que me formaram, dos Companheiros de trabalho (do BPA ao BPI) e dos Amigos que tanto me ajudaram nos meus sucessos. Em especial, gostaria de recordar a belíssima intervenção do Prof. Pedro Teixeira Bastos, que tão generosamente traçou o meu percurso pessoal, profissional e de cidadão.

Foi realmente um dos dias mais felizes da minha vida.

 

- Como avalia o papel que vem sendo desempenhado – no passado e no presente - pela Universidade do Porto no seio da comunidade (cidade, região, país)?

 

A Universidade do Porto tem tido um papel determinante no progresso do nosso País.

A Faculdade de Arquitectura é talvez a instituição de ensino superior portuguesa mais prestigiada internacionalmente.

A Faculdade Engenharia sempre foi uma marca de excelência da Universidade do Porto e tem hoje centros de investigação de grande qualidade como o Inesc, o Inegi e o Ineb.

A Cotec, associação que promove a inovação na sociedade portuguesa e que tem tido um êxito assinalável na maior aproximação das Universidades às Empresas, muito deve aquele que durante seis anos foi seu Director Geral, o Prof. Rui Guimarães, destacado professor catedrático da Faculdade de Engenharia e que já anteriormente tinha dirigido com grande talento a Escola de Gestão do Porto (EGP). Hoje esta importante associação tem, também, como Director-Geral, Daniel Bessa, professor da Faculdade de Economia do Porto e que igualmente dirigiu com grande competência a EGP.

Nas Ciências da Saúde o Porto conta com notáveis professores das suas duas Faculdades de Medicina e tem instituições de investigação de grande relevo como o Ipatimup e o IBMC. Os quatro Hospitais públicos do Grande Porto muito devem também a uma estreita ligação com a Universidade.

A Faculdade de Economia que também abrange a Gestão tem um excelente corpo docente e tem proporcionado ao País uma Escola de altos dirigentes e investigadores. Não é por acaso que hoje o Ministro das Finanças, o Governador do Banco de Portugal e o Presidente da CMVM são, todos eles, licenciados nesta importante instituição da Universidade do Porto.

Também as Faculdades de Letras, de Ciências e do Desporto têm um lugar de relevo no ensino superior e na investigação.

 

- Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional?

 

A Universidade deve ser mais proactiva junto das Empresas, do Estado e das Autarquias, bem como no plano internacional para transferir a capacidade de gerar conhecimento instalada que se impõe que seja mais intensamente utilizada.

Deverá atrair mais estudantes e professores estrangeiros, dar mais atenção ao fomento do empreendedorismo qualificado – Portugal precisa de uma nova geração de empresários mais bem preparados para os exigentes desafios da globalização – e deverá fazer uma maior aposta na afirmação da sua marca e da sua identidade. Neste último plano, a Cultura e o Desporto deviam ser mais acarinhados dado que a massa crítica existente o justifica.

 

- Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto.

 

Espero que a Universidade do Porto consiga afirmar o modelo fundacional que escolheu, que libertará mais a Universidade do Estado e que a permitirá enfrentar melhor os complexos desafios que temos que vencer. Que a Universidade do Porto se afirme como um grande pólo de formação e de investigação capaz de criar uma onda que ajude Portugal a encontrar um caminho de sucesso digno dos melhores momentos da nossa História.

As nossas Universidades têm que ser nos dias de hoje o que foram os nossos Descobridores no século XVI.

 
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