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Aureliano da Fonseca: “A Universidade não pode excluir-se do tecnicismo mas não deverá subjugar-se-lhe”

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O Olhar de...

- Médico português

- Professor aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (1955-1977) e da Clínica de Dermatologia e Venereologia do Hospital Escolar de S. João. Aos 96 anos, continua a exercer Medicina.

- Membro do grupo de estudantes responsáveis pelo reaparecimento do Orfeão Universitário do Porto (OUP) e pela fundação da Orquestra de Tangos do Orfeão OUP, em 1937. É o autor da música  “Amores de Estu­dantes”, tema-símbolo da academia do Porto.

- Antigo Estudante da Faculdade de Medicina da U.Porto, com Licenciatura (1940) e Doutoramento (1964) em Medicina.

 

 - Como é que teve origem e se desenvolveu a sua ligação à Universidade do Porto?

 

Concluído o 7º ano, no dia 12 de Julho de 1934, devendo escolher o caminho profis­sional, por algum espírito “romântico” e certamente também “ aventureiro”, entusiasmava-me a Marinha; mas não dei­xava de pensar na Medicina.

A sair da casa ainda hesitante, no último momento optei pela Medicina. Para esta decisão terá tido grande influência o meu convívio com o médico Dr. Vilas Boas Neto dedicado ao tratamento das doenças da pele (as especialidades só foram definidas pela Ordem dos Médicos em 1942), tendo muitas vezes com ele ido a conferências e passeios culturais com outros médicos ou estudantes de Medicina e ouvia os comentários que despertavam interesse.

Ingressado na Universidade, comecei por  frequentar na Faculdade de Ciências os chama­dos Preparatórios Médicos ou FQN (Física, Química e Naturais: Zoologia e Botânica), um ano necessário para o ingresso na Facul­dade de Medicina, no qual muito me interessei pela Zoologia e sobretudo pela Botânica, esta talvez porque o professor Gonçalo Sampaio, tendo profunda formação humanística, dava "vida" ao que ensinava e às ideias que desenvolvia. Por isso, já na Faculdade de Medicina, e no 2º ano, vencido o "ter­ror da Anatomia", decidi matricular-me no Curso de Biológicas na Faculdade de Ciências, que vim a suspender no 4º ano de Medicina por incompatibilidade de horários. Mesmo assim foi útil o que aprendi sobretudo nas disciplinas de  Botânica e de Antropologia.

O curso de Medicina decorreu sem oscilações preocupantes, até com os colegas com os quais sempre tive o melhor relacionamento  e com quatro ou cinco até amizade. Terminei o meu curso no dia 13 de Julho de 1940.

Agora, que fazer?

Rememoro de uns versos o seguinte:

 

                Partimos - um rosário de ilusões -                            Virá a vida, a realidade

                e nos entregamos ao deus desconhecido            - do rosário as contas cairão -

                que lança o passado para o olvido                          ficará a cruz, última ilusão

                e enche de esperança os corações...                      e punição da nossa veleidade...

                ...............                                                                           ............

 

Eram poucas as possibilidades do exercício da Medicina, quase limitada à actividade liberal-privada, na cidade mas sobretudo na província, a exigir intensa dedicação e exaustiva paciência. O meu primeiro pensar foi ir para alguma aldeia, tornar-me médico "João Semana", talvez influenciado por uma das românticas figuras do romance de Júlio Dinis  “As Pupilas do Senhor Reitor”. Falaram-me em Águeda. Falaram-me em Poiares da Régua, a nordeste da Régua. Também me seduzia a ida para Angola. Todas estas "ficções" tiveram pouca duração, porque, de súbito, surgiu-me a ideia de me dedicar à Dermatologia, que estudei na Consulta de Dermatologia do Hospital de Santo António e nos Serviços de Dermatologia dos Hospitais Civis de Lisboa, em particular o do Hospital do Desterro e o do Hospital dos Capuchos.

Após ingressar no Hospital Militar D. Pedro V (Porto), no lugar a que concorri em Dezembro de 1942, tomei posse em 28 de Outubro de 1943. Ali estive até 1956, quando fui convidado para reger a disciplina de Dermatologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Paralelamente, dependente do Ministério das Corpora­ções, Serviços Médico-Sociais das Caixas de Previdência, fui encarregado de organizar um Serviço de Dermatologia que foi considerado o melhor do país para os fins a que se destinou. Seria longo pormenorizar a minha actividade nos organismos onde estive, instituições distintas onde em todas tive por objectivo criar um clima favorável ao desenvolvimento da Dermatolo­gia no Porto, a ser conseguida ao cabo de anos de tenacidade!

Suspendi em 1977 as minhas funções oficiais na Universidade do Porto por ter ido para a Universidade  Estadual de Campinas (S. Paulo - Brasil).

 

Como surgiram o Orfeão e os “Amores de Estudante” neste percurso?

 

Em 1937, devendo celebrar-se o Centenário da Academia Politécnica e da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, transformadas na Universidade do Porto e Faculdade de Medicina em 1911, um grupo de estu­dantes decidiu reviver o Orfeão Universitário do Porto.

A ideia, aceite com entusiasmo, foi materializada em escassas semanas, reu­nindo-se cerca de centena e meia de vozes vindos das quatro Faculdades na época existentes (Medicina, Engenharia, Ciências e Farmácia), e sem dificuldade conseguida a dedicada cooperação do Maestro Afonso Valentim. Concomitantemente, Tiago Ferreira (estudante de Medicina) e Paulo Pombo (estudante de Engenharia), exaltaram a reorganização da Tuna Universitária, com os es­tudantes que das quatro Faculdades sabiam tocar, pouco que fosse, qualquer instrumento musical. Em breve éramos 34, sendo 14 de Medicina, 13 de Engenharia, quatro de Ciências e três de Farmácia. Ao mesmo tempo, criou-se um Grupo Cénico, sob a orientação de Athayde Perry.

A Récita Inaugural de Gala, de todos os "conjuntos académicos" realizou-se no Teatro Rivoli, a ter êxito por muito tempo rememorado. Seguiram-se outras récitas, valorizadas com fados e guitarradas (gemidas e choradinhas, capazes de fazerem lacrimejar uma sogra), e também canções e "charges" (a co­nhecidas pessoas do meio académico, teatral e outras figuras em destaque no nosso meio, etc., etc., ou as mais formidáveis piadas que até hoje foram dadas à luz... eléc­trica nos Quadros de Conjunto intitula­dos: «No Reino da Folia», «Dois dedos de cavaco»  e «Magister Dixit»). E em dado momento (1939) sur­giu o Quinteto Algarvio (importado directamente da região pelas vias competentes.

A criação "artística" a mais destacar-se foi, porém, a Orquestra de Tangos. Esta Orquestra, constituída por oito elementos, tocando os mais afamados tangos argentinos gardelianos, a despeito das sombras negras de guerra, simbolizara, entre os jovens, o génio romântico da música ligeira daquele tempo.

De sucesso em sucesso, em dado momento, surgiu a vontade de termos um tango-canção, canção que fosse nossa. Com a ideia a fervilhar, a música surgindo-me em momento feliz, de seguida, com Paulo Pombo, num café (Café Monumental, na Avenida dos Aliados, há muito desaparecido), e interrogámo-nos sobre o que era ser estudante, o que seria ser jovem e o que era ser tuno?! Ser estudante seria, apenas, aquele que estuda e porventura tem avidez de conhecimento, de sabedoria?! Querer saber não é atributo da criança como do jovem, e até do adulto que jovem continue a ser?! Deste modo pensando, seria estudante quem mantivesse o desejo de saber e com o saber tendo espírito de juventude! E ser jovem não seria ser idealista e acreditar em efémeras ilusões?! E nessas efémeras ilusões não estão os seus amores?! Assim deduzindo, naturalmente surgiu o nome Amores de Estudante.

A letra, feita por Paulo Pombo, diz o que então pensámos e como naquele tempo a nós próprios nos vimos:

 

                               São como as rosas dum dia                               Os Amores de Estudante

                               os Amores de Estudante                                         são franjas de ondas do mar

 

 

O tango-canção foi pela primeira vez tocado no Teatro de Carlos Alberto no dia 2 de Janeiro de 1938. A terminar, com frenéticas palmas, o público exigiu repetição e repetição, que levantou a plateia. Desde então, os Amores de Estudante não mais deixaram de ser tocados e cantados.

 

- Que principais momentos guarda da sua experiência enquanto estudante?

 

Não é fácil satisfazer o que me pedem porque à distância de 60 ou mais anos muito se esfuma do visto e vivido, e porque em cada tempo são diversificados os figura­tivos da nossa existência e os modos de os entendermos. Mesmo no que seja possível visualizar desse passado a distanciar-se, porque muitos são os campos de vivência, seria demasiadamente longo o que se dissesse e, na medida de se tentar pormenorizar, iríamos afastar-nos da realidade e per­dermo-nos na ima­ginação.

A dever limitar o que se diga tenta-se encarar concisamente o fundamental retido no arquivo das recordações.

Agrada afirmar que genericamente, cada um a seu modo, todos os professo­res evidenciaram expressiva chamada da atenção para o dever da missão pro­fissional do médico intimamente ligado ao dever moral, e expressivamente exortando o valor da vida e o respeito pela morte.

Recorda-se como exemplo o professor de Anatomia (Joaquim Pires de Lima, fundador do Instituto de Anatomia)na primeira aula, no denominado “teatro anatómico”, tendo à sua frente em gélida mesa de már­more o cadáver de um homem de avançada idade do qual nada se sabia.

Começando por evidenciar o significado da palavra cadáver (caro data ver­mibus – carne dada aos vermes), apontou o que porventura teria sido o seu percurso na estrada da existência. Não se recordam as exactas palavras mas existem vivas as suas expressivas ideias: - é de crer ter sido em criança aca­ri­nhado pelos pais, sobretudo a mãe, porventura até com lágrimas, umas vezes de alegria e de felicidade outras vezes de sofrimento e dor; terá brincado com outros idênticos em clima de contentamento; mais tarde terá trabalhado, talvez em acti­vidade espinhosa pouco compreendida; e de certo amou como sabia e porventura teve filhos, seu enlevo mas cedo perdidos; e abandonado pela mulher dos seus filhos ao álcool se entregou e exposto à rua nela acabou o seu amargo viver! E, após breve pausa, acrescentou: - se o quadro descrito não se enquadra neste cadáver quando homem, outro terá sido não fundamentalmente diferente nos estados principais, talvez menos calamitoso ou porventura mais flagelado. A terminar acrescentou: - e aqui está um defunto sem história para por nós ser retalhado, a ser-nos útil possi­bilitando-nos o conhecimento da maravilhosa estrutura do corpo humano e, a partir dela, tentar penetrar nos segredos da vida. Tal profunda dádiva devemos generosamente agradecer com profundo respeito.

Tal lição muitas vezes foi pensada e continua a ser recordada.

Outro certo professor de patologia médica disse: - perante o doente procure­mos tentar saber, primeiramente, o que ele como pessoa no psicológico-emocional nos campos familiar, profissional e social; depois registemos as suas queixas e sinais de doença e as enfermidades porventura sofridas e as que sejam dominan­tes na família; em seguida interliguemos todos os dados colhidos, pon­derando a doença na pessoa e, consequentemente, a poder começar a conhecer o doente para, por fim, estabelecer o que seja oportuno aconselhar como medicação, normas de vida e de profilaxia.

Sob tal exigência era habitual a observação de cada pessoa doente ir para além de uma hora.

Outro professor, dado à cirurgia, contou: - indo a um enterro, no tempo em que estive no cemitério, pensei nos doentes que porventura passivamente dei­xei morrer por nada lhes poder fazer; mas também naqueles que por alguma inad­vertida negligência médica ou cirúrgica, ou muitas outras condições imprevistas, a despeito do meu já longo tempo profissional, não terão tido os benefícios dese­jáveis ou até  terão sofrido complicações sofredoras,  e até a morte. E termi­nou o desabafo deste modo: E por todos rezei uma Ave-Maria.

Pensando o que pensemos, saibamos compreender a atitude e respeitemo-la.

 

- Como avalia o papel desempenhado – no presente e no passado – pela universidade no seio da comunidade (cidade, região, país)?

 

Tem a palavra universidade a ideia de totalidade, mas como organização é local ou centro de estudos e disseminação ou difusão de Cultura e Saber no sentido mais alargado.

Tais valores disponibilizados para quem os queira e possa absorver, nos campos fundamentais do humanismo em contínua reflexão, dá-nos sucessivos valimentos para o que sejamos e em concomitância até nos amplia os limites da vida.

A visão apontada, encarada em alargada direcção e amplitude, deve tor­nar a pessoa humana mais pessoa com subsequente activa personalidade, mais acentuado sentido da responsabilidade, mais respeito e tolerância por si pró­prio e, a partir do que seja, espargir bens para os demais que à volta consecuti­vamente estejam.

Assim os estudantes formadas conscientemente estarão em condições para abarcar os campos científicos e técnicos que se lhes deparem, e do todo será fácil obterem resultados e benefícios a motivar campos de proveitos a quem os conseguiu e a quem os deva usufruir.

Se alguma vez for possível haver uma sociedade humana com fiel e pro­funda formação humanística e complementarmente tendo concreta e firme ins­trução e conhecimentos técnico-científicos reflectidos, originando sabedoria, será certamente admissível afirmar ser esse povo culto e, na medida de conse­guir manter activos e vivos os seus valores, terá condições para se sentir feliz.

Assim vi a Universidade no meu passado, e não falo da Universidade no pre­sente porque a vejo em passagem…

 

- Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional? Que Universidade gostaria que estivéssemos a celebrar daqui a 100 anos?

  

Acerca da Universidade de amanhã e do Futuro além, o que poderá dizer-se se esse Futuro ainda não tem tempo e portanto não existe?  E o que se diga como hipótese não garantindo verdade também não permitirá visão directa. E não é certo o agora, se sempre foi fugaz a rapidamente passar para o já foi, no tempo de hoje não aparece evidenciar-se mais efémero?

A despeito desta consideração temos de admitir a realidade de estarmos indiscutivelmente envolvi­dos na imparável época tecnicista, que nos agrada pelos benefícios prodigalizados mas ao mesmo tempo nos domina e escraviza, em concordância com a exacta máxima “de não haver benefícios sem preço e ser o preço tanto mais elevado consoante os valores dos benefícios”.

Certamente que a Universidade não pode excluir-se do tecnicismo e até com o tecnicismo se compromete na mais profunda investigação. Importa, porém, que os frutos do desenvolvimento técnico não prejudiquem o homem na sua essência e nos fundamentais princípios e objectivos da existência.

Admitindo ser a ficção de hoje dinamicamente efectiva no amanhã e para além, não será atrevimento antecipar o que apenas num breve de cinco déca­das será diferente na dinâmica universitária.

Toma-se a decisão de apenas enfocar concisamente como se imagina possa vir a ser o ensino nesse tempo já achegar.

O professor continuará a ter a indiscutível forte função de, pela palavra, com ideias e figurações concretas incentivadoras e revigorantes, e com atraente estilo de presença e de comportamento, a ser modelo de pessoa, ter o dever ou compromisso de despertar nos estudantes interesses e estímulos para quererem saber, e na medida do intento profunda­mente neles penetrado fácil será adquirirem  forças  para, ultrapassando todos os obstáculos, atingirem os seus desejáveis objectivos humanos, profis­sionais e sociais. De seguida deverá o professor indicar, por escrito, as fer­ramentas necessárias para eles consegui­rem os conhecimentos e sabedoria convenientes, de livros, revistas e outros meios, escalonados dos assuntos fundamentais aos mais excelsos e transcen­dentes.

Deduz-se do referido que o professor leitor terá os dias finalizados, a passar a ser dinâmico, malabarista de ideias e conceitos, contando histórias verídicas arrebatadoras de valores.

As aulas devem ser activas e em deba­tes abertos de temas científicos, fami­liares, profissionais, sociais e até filosóficos e de justiça, entre outros progra­mados e consoante as necessidades e exigências dos estudos e objectivos, visando a formação do ser humano no todo integral. Assim preparados, facil­mente penetrarão no conhecimento dos fundamentos do tecnicismo, a valori­zarem-se nas suas necessidades o que jamais poderá acontecer se apenas esti­verem dados a manejar alavancas, parafusos e alguns aparelhos e instrumen­tos ou dedicados a um saber estéril e teórico sem finalidade concreta.

Compreenda-se também que os programas abordados nas Universidades não são o todo preciso para o verdadeiro universitário. Eles são o mínimo considerado, sendo que o estudante por si próprio deve procurar o muito mais que lhe convém para o fortalecimento profissional. E nesse mais devem estar conhecimentos de toda a natureza, da pura literatura clássica à história do homem, das sociedades, civilizações, e do seu país e até de outros países com quem conviva ou haja interesse em conviver etc.

Naturalmente que a divulgação do conhecimento “on line” já intenso no tempo actual tende a acentuar-se, e pode ser único como meio da divulgação dos conhecimentos básicos exclusivamente técnicos nas escolas técnicas mas jamais nas autênticas Universidades substituindo os autênticos professores.

Ainda que estejam certas as ideias fundamentais apontadas para a valoriza­ção integral do homem nos meios familiar, profissional e social, a sua aplicação será sempre restrita e custosa porque a despeito do longo tempo do homem na Terra e do fantástico progresso de bens e possibilidades ao dispor as 80 gera­ções da era cristã são insuficientes para serem vencidos os defeitos ancestrais.

 

- Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto.

 

Com as capas negras pensamos

em voos para além do tempo:

ponte entre o passado de onde viemos

e o futuro para onde iremos…

 

Aureliano da Fonseca (1995)

 
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