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Fernando Freire de Sousa: “A U.Porto é o mais constante fator de desenvolvimento do Porto do último século”

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O Olhar de...

- Economista português

- Presidente da Comissão de Vencimentos da Zon Multimédia (2008 - …)

- Presidente do FIEP – Fundo para a Internacionalização das Empresas Portuguesas, SGPS, SA (1997 - 2003)

- Secretário de Estado para a Competitividade e Internacionalização (Ministério da Economia) do XIII Governo Constitucional (1996 - 97)

- Professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) entre 1974 e 2009

- Antigo Estudante da FEP, com Licenciatura em Economia (1975)

 

- Como é que teve origem e se desenvolveu a sua ligação à Universidade do Porto? Que principais momentos guarda da sua experiência enquanto estudante e professor da FEP?

 

A minha ligação à Universidade do Porto (UP) iniciou-se em Outubro de 1970 enquanto aluno da Faculdade de Economia (FEP). Vinha de sete anos no Liceu Normal D. Manuel II (hoje Rodrigues de Freitas) e, numa época em que dominava a dicotomia Letras versus Ciências, optara pela então chamada alínea g), uma espécie de “nem uma coisa nem outra” que ademais me garantia, no curto prazo, o estudo das disciplinas preferidas (Matemática e Geografia, Inglês e História) e, a mais longo prazo, seguir o exemplo de um padrinho economista que me queria desviar de seguir Direito.

Essa entrada na Universidade representou também, para mim, uma experiência de outra natureza e igualmente marcante (se lida com a devida distância temporal): porque os liceus separavam os géneros, apenas aos 17 anos (mais vale tarde do que nunca!) passei a usufruir de uma normal convivência com colegas mulheres… Além disso, e porque o funcionamento do Curso se desenrolava em quatro salas do sótão da Faculdade de Ciências (atual Reitoria) – ainda hoje me transcende a compreensão de como tal milagre era possível! –, retive uma certa sensação de pequenez da minha Economia em relação às variadas atividades científicas e laboratoriais que ocupavam todo o restante edifício.

Recordo alguns docentes, entre os mais carismáticos como o regente de Direito Comercial Vasco Airão e o de Contabilidade de Custos Manuel Baganha, os mais temidos como o Diretor e regente de Finanças Fernando Seabra ou o de Economia I Alberto Pedroso, os mais populares como o Assistente de Matemáticas Gerais Miguel Martins ou o regente de Estatística e de Econometria António Filipe, os mais promissores como o Assistente de Teoria da Contabilidade José Rodrigues de Jesus ou o de Estatística e de Econometria Miguel Cadilhe, os mais excêntricos como o regente de Introdução ao Direito Pinto Ramos ou o Assistente de Finanças Godinho de Almeida.

A partir do 25 de Abril, frequentava eu o 4º ano, participei ativa e entusiasticamente na vida de uma Escola que chegou a ser temporariamente deslocalizada para o Colégio João de Deus e se dizia “em transformação”. Trabalhava-se em “life time”, num misto de genuinidade e vontade coletiva que tinha necessariamente de acarretar excessos. Fui membro do então Conselho de Faculdade e admitido como Monitor. Recordo desses tempos o exemplo do colega mais velho José Valente, o brilho de novos e mais preparados Assistentes (como José Madureira Pinto, Robert Rowland, Carlos Costa e António Figueiredo) e a figura encantadora do novo Diretor Armando Castro. Licenciei-me em 1975 e fui contratado como Assistente Eventual.

Até 1980, data em que parti para doutoramento em Paris, estudei e dei aulas. Aulas a que voltei em 1984, já como Professor Auxiliar, que estendi ao ISEE (hoje EGP) em 1988 e que fui prosseguindo até ser requisitado para Lisboa, em 1996. Depois, já só regressei um semestre ou para responder a convites para ações pontuais.

Momentos? Muitos. Fico-me pelo orgulho com que fiquei diretamente ligado, em conjunto com Alberto Castro, à orientação do primeiro doutoramento realizado na FEP por um seu licenciado (no caso, o atual catedrático António Brandão), o que ocorreu em 1991 – 38 anos depois da fundação! – e fala por si quanto à mediocridade ética e científica que foi preciso vencer. Sem esquecer as sempre renovadas sensações de prazer com que aprendi, investiguei e comuniquei, além dos amigos feitos e que ficaram, quer entre colegas estudantes e docentes quer entre os milhares de alunos com que me relacionei.

 

- Qual a importância da Universidade no seu percurso profissional e de que modo foi de encontro às suas expectativas?

 

A questão não se me coloca dessa forma porque à época, escolhido o Curso de Economia, a FEP era um caminho sem alternativa. Mas posso dizer, pelo mínimo, que nunca me arrependi da escolha e que ela me não foi madrasta, considerada a diversidade de funções que desempenhei profissionalmente; o que significa, pois, que a minha formação de base, obtida na FEP, se revelou fundamental no meu percurso. Indo um pouco mais longe, posso mesmo afirmar que quarenta anos de ligação à UP fazem com que a considere a minha casa-mãe – é que, se nem tudo foi fácil em todas as situações ou se a vida me foi levando a outras paragens, o certo é que ela foi a única das referências que, em última instância, nunca abandonei.

 

- Como avalia o papel desempenhado pela Universidade no seio da comunidade (cidade, região, país) e de que modo ele se poderá projetar para o futuro?

 

A meu ver, a UP é seguramente o mais constante fator de desenvolvimento do Porto e da Região Norte do último século. Atingiu entretanto o estatuto de maior Universidade do País, tendo sido o consulado do Reitor Alberto Amaral aquele que marcou a sua grande inflexão organizativa e reputacional. Hoje, os desafios são outros e a projeção local e nacional já não basta; a estratégia e a prática da UP que o Reitor Marques dos Santos dirige exprimem claramente essa perceção.

Já quanto à componente FEP, há especificidades que tornam as indicações são mais difusas. Historicamente, a formação em áreas técnicas adquiriu amplo reconhecimento e o Curso de Economia ganhou enorme prestígio junto da comunidade empresarial circundante. Por outro lado, a posterior diversificação da oferta e a mais recente desmultiplicação das especializações não vieram afetar a sua forte presença nas empresas, a qual se fora aliás disseminando à escala nacional e, por vezes, internacional; a estes milhares de competentes “economistas”/gestores, a maioria quase anónimos pela dominante privada das suas responsabilidades, soma-se ainda um número crescente de licenciados da FEP que foram e vão desempenhando funções públicas visíveis e relevantes. Mas, e não obstante o acabado de referir, o facto de a FEP estar hoje incomparavelmente exposta a uma feroz competição internacional e a significativas mudanças do quadro regulatório europeu coloca-a, do meu ponto de vista, perante uma espécie de quadratura do círculo: a de compatibilizar uma internalização das normas e exigências do “mainstream” académico com a opção histórica/tradicional de uma eficaz inserção orgânica local e regional, uma encruzilhada cujas implicações – designadamente em sede de retenção e atração de recursos humanos qualificados e de empregabilidade, logo também de desenvolvimento da comunidade no seu todo – justificam uma reflexão muito séria.

 

- Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional? Que Universidade do Porto gostaria que se celebrasse daqui a 100 anos…?

 

O caminho faz-se caminhando. Contanto se vá fazendo uso de uma rosa-dos-ventos. E, inquestionavelmente, esta apontará para fora e para cima, para uma crescentemente imperiosa abertura ao exterior e à excelência nas competências e nos saberes. Haverá assim que prosseguir o estímulo de conteúdos essenciais como redes, parcerias, cooperação, mobilidade, cosmopolitismo… Neste sentido, e embora não consiga obviamente antecipar a UP de 2112, quero acreditar nela como constituindo uma plataforma de conhecimento capacitada para integrar dinâmicas internacionais de primeira grandeza sem deixar de permanecer profundamente ligada ao tecido económico e social de que imana.

 

- Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto.

 

Uma mensagem que só pode ser de memória e esperança. Memória de tantos sem os quais não se teria chegado até aqui. Memória que é, pois, gratidão. Esperança na liderança e na maioria da comunidade UP mas, e sobretudo, nos jovens que hoje fazem a sua dimensão e qualidade. Esperança que é, pois, energia. Por isso, peço a esses jovens que – recuperando a trajetória destes 100 anos, assumindo como seus os gigantescos esforços produzidos, não cedendo face às dificuldades do presente – olhem em frente e sigam adiante. Com a consciência plena de que as raízes merecem ser honradas e de que o mundo é para ser vivido.

 
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