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Maria Oliveira: "Deve-se investir na interlocução entre os centros de investigação e as empresas"

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O Olhar de...

- Cientista portuguesa

- Investigadora Auxiliar do Instituto Nacional de Engenharia Biomédica (INEB) com trabalho reconhecido na área da invasão tumoral.

- Medalha de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência (2009) (mais informações)

- Membro da Comissão Organizadora do IJUP (Investigação Jovem da Universidade do Porto)

- Antiga Estudante da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, com Licenciatura em Biologia (1996)

 

- Como é que teve origem e se tem vindo a desenvolver a sua ligação à Universidade do Porto? Que principais momentos guarda da sua experiência enquanto estudante/investigadora da U.Porto?

 

A minha ligação à Universidade do Porto remonta a 1992 como estudante de Biologia da Faculdade de Ciências. Após conclusão da licenciatura iniciei actividade de investigação como bolseira num projecto de colaboração entre a U.Porto e a Universidade de Uppsala (Suécia). Durante este período, tive a possibilidade de frequentar cursos promovidos por Institutos de investigação da U.Porto e que foram determinantes na orientação das minhas escolhas profissionais. Em 1998 decidi, com o apoio da FCT, fazer o meu doutoramento na área da oncobiologia na Universidade de Ghent (Bélgica). Apesar da distância, procurei sempre manter a ligação, partilhando projectos de investigação e cultivando as colaborações com investigadores da Universidade do Porto. Em 2004, regressei à U.Porto para desenvolver o meu projecto de Pós-Doutoramento e aqui comecei a fixar raízes. Em Dezembro de 2007, no âmbito do Programa Ciência2007, fui contratada como Investigadora Auxiliar do Instituto de Engenharia Biomédica (INEB) onde encontrei as condições necessárias para o desenvolvimento da minha actividade. Mais recentemente, tenho tido o privilégio de colaborar como membro da Comissão organizadora do IJUP na divulgação e promoção da Investigação Jovem da nossa Universidade. Devo dizer, muito sinceramente, que da minha ligação à Universidade do Porto guardo as melhores recordações. Enquanto estudante conheci docentes que marcaram o meu gosto pela investigação e que foram determinantes na definição do meu percurso profissional. Enquanto investigadora encontrei sempre nos Institutos de investigação em que trabalhei (IPATIMUP e INEB) equipas altamente equipadas, qualificadas, dinâmicas e empreendedoras e um ambiente agradável de partilha e colaboração científica. Aqui aprendi e redescobri o prazer de fazer Ciência.

 

- Qual a importância da U.Porto no seu percurso profissional e que modo tem ido de encontro às suas expectativas?

 

A U.Porto tem sido uma presença contínua ao longo de todo o meu percurso profissional. Foi nesta Universidade que me formei, me entusiasmei e apaixonei pela investigação científica e à qual regressei para desenvolver as minhas ideias, projectos e sonhos. Obviamente que tal só aconteceu por ter sentido que a U.Porto dispunha das condições necessárias de acolhimento quer ao nível de infra-estruturas, de equipamentos e de recursos humanos. Na Universidade do Porto encontrei um ambiente acolhedor com equipas activas, competentes e de sólida representação internacional e com investigadores e técnicos superiores altamente qualificados. Encontrei massa crítica e pessoas dinâmicas com vontade de apostar na qualidade e de investir nos desafios. É precisamente o dinamismo de uns que combate a inércia de outros e que faz a diferença, permitindo progredir e avançar. Disso alguns Institutos e centros de investigação da Universidade do Porto têm sido exemplo, notando-se uma preocupação crescente no reforço dos recursos tecnológicos e humanos para se tornarem mais competitivos ao nível internacional.

Esperemos que esta preocupação seja assegurada e mantida ao longo dos anos. Na última década fizemos um percurso notável mas precisamos e temos capacidade humana para evoluir muito mais.

 

- Como avalia o papel desempenhado pela Universidade no seio da comunidade (cidade, região, país) e de que modo ele se poderá projectar para o futuro, com especial enfoque no campo da investigação e da produção de conhecimento e inovação?

 

Penso que a Universidade do Porto desempenha um papel importante ao nível regional e nacional por se ter afirmado como uma Instituição credível, formadora e interlocutora. É actualmente a maior instituição de ensino e investigação do país, atraindo todos os anos muitos alunos e investigadores estrangeiros. Está equipada com centros de investigação que cobrem diferentes áreas de conhecimento e alguns dos quais são reconhecidos ao nível internacional, pela sua excelência, qualidade, mérito e desempenho. Parte destes mesmos centros de investigação promovem acções de divulgação junto da comunidade não científica, participando activamente na formação e despertar do cidadão para assuntos de interesse científico. Outros centros têm sido interlocutores bem sucedidos com empresas na concretização e aplicabilidade do seu conhecimento. Este esforço tem sido mais evidente em determinadas áreas de investigação do que noutras mas acredito poder ser explorado por todos.

A meu ver, para assegurar a sua projecção para o futuro e para se afirmar como uma das Universidades mais conceituadas da Europa, a U.Porto deve explorar cada vez mais estes pontos. Sumariamente, a Universidade deve continuar a apostar na qualidade do ensino e da investigação que faz, nas colaborações internacionais que estabelece e nas parcerias com empresas nacionais e internacionais. Deve promover e divulgar a investigação que faz e ser um interlocutor activo com empresas do seu sector de investigação. Estas parecem-me ser as formas mais eficientes de promoção do seu conhecimento e de aplicação do mesmo. Do conhecimento poder-se-á gerar inovação e da inovação mais conhecimento. É esta dualidade que gera o progresso.

 

- Que caminho deverá ser percorrido para afirmar cada vez mais a Universidade no contexto regional, nacional e internacional? Como prevê o papel de uma Universidade do Porto daqui a 100 anos?

 

A consolidação e contínua afirmação da U.Porto ao nível regional, nacional e internacional dependem da permanente aposta na qualidade do ensino e da investigação. Para tal penso que a Universidade deve, em primeiro lugar, continuar a investir na formação e avaliação dos seus docentes e também dos seus investigadores. Na minha opinião este processo deve ser complementar e independente. Com isto pretendo dizer que apesar de muitas vezes esta dupla função ser acumulada na mesma pessoa, o docente deve ser avaliado pela qualidade das aulas que lecciona e o investigador pela qualidade da investigação que faz. Avaliar docentes pela sua actividade de investigação compromete fortemente a qualidade do ensino. Em segundo lugar, penso que se deve continuar a apostar esforços em acções de formação e em workshops que apoiam as necessidades dos docentes e investigadores. As últimas edições têm tido elevada frequência e vale a pena realçar o seu sucesso. Em terceiro lugar, penso que vale a pena investir na interlocução entre os centros de investigação e as empresas, atraindo o investimento empresarial e diminuindo a dependência do poder central.

Nas últimas décadas a U.Porto tem-se multiplicado em gabinetes e departamentos competentes que mobilizam cursos, encontros, acções de formação, apoio jurídico e apoio técnico a criação de patentes, entre outros exemplos. Acho crucial apostar agora no investimento empresarial e na procura de outras fontes de financiamento.

Por último gostaria de relembrar que a Universidade somos todos nós, alunos, docentes, corpo técnico e administrativo e investigadores. O seu sucesso depende seguramente da atitude proactiva de todos. Penso sinceramente que a Universidade do Porto tem todas as qualidades científicas e técnicas para daqui a cem anos se afirmar como uma das mais conceituadas Universidades da Europa. Haja investimento e vontade!

 

- Mensagem alusiva aos 100 anos da Universidade do Porto.

 

Não podia deixar de felicitar a nossa Universidade pelo centenário que agora celebra, pelo percurso admirável que tem feito, pelos esforços que tem dinamizado, pelos recursos que conseguiu atrair e pelo futuro promissor que acredito ser possível.  O sucesso depende da participação e da responsabilização de todos.

 
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